Acordo Mercosul-EFTA e os benefícios para as pequenas e médias empresas brasileiras

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O Mercosul-EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) assinaram um acordo de livre comércio nesta terça-feira (16/09). A cerimônia de assinatura ocorreu no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro e pode beneficiar as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras.

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Mercosul-EFTA
Imagem ilustrativa – Cerimônia de assinatura do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-EFTA, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (Foto: Júlio César Silva/MDIC).

A EFTA é um bloco de países europeus que não faz parte da União Europeia, e é composto por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O acordo com a EFTA é visto como um passo importante para o Mercosul, pois abre um novo mercado e diversifica suas parcerias comerciais.

É importante notar que, mesmo com a assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de cada um dos países envolvidos para que entre em vigor.

 

Redução de custos e aumento de competitividade

O principal benefício para as PMEs reside na redução ou eliminação de tarifas de importação. Atualmente, muitas PMEs enfrentam barreiras tarifárias que tornam seus produtos mais caros e menos competitivos no mercado europeu. Com o acordo, essas empresas poderão exportar seus produtos, como alimentos processados, confecções e artesanato, para a Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein com tarifas nulas ou significativamente menores. Essa economia pode ser revertida em maior lucro ou em preços mais competitivos para o consumidor final, facilitando a entrada de novos produtos no mercado.

 – Acesso a mercados de alto valor: os países da EFTA têm um dos maiores PIBs per capita do mundo. Isso significa que seus consumidores têm alto poder de compra e demandam produtos de qualidade. Para as PMEs brasileiras, o acordo abre a porta para um nicho de mercado de alto valor, onde podem vender produtos de maior valor agregado, como cafés especiais, chocolates gourmet, cosméticos naturais e designs exclusivos. É uma oportunidade de diversificar a carteira de clientes e reduzir a dependência de mercados tradicionais.

– Facilitação e simplificação burocrática: o acordo não se resume apenas a tarifas. Ele também inclui medidas para simplificar procedimentos aduaneiros, harmonizar regras técnicas e promover a transparência. Para uma PME, lidar com a burocracia do comércio internacional pode ser um grande obstáculo. Com o acordo, os processos se tornam mais previsíveis e menos complexos, diminuindo custos e tempo de exportação. Além disso, o reconhecimento mútuo de certificações e padrões pode eliminar a necessidade de testes e inspeções duplicadas.

– Incentivo a investimentos e parcerias: o acordo também aborda o tema de investimentos e serviços. Pequenas empresas de tecnologia, por exemplo, podem atrair investimentos de empresas da EFTA interessadas em soluções inovadoras. Da mesma forma, PMEs brasileiras podem buscar parcerias estratégicas com empresas da EFTA para desenvolver produtos, compartilhar conhecimento e acessar novas tecnologias. Esse intercâmbio pode fortalecer a competitividade e impulsionar a inovação no Brasil.

– Fortalecimento da imagem de marca: a exportação para mercados exigentes como os da EFTA pode fortalecer a imagem de marca de uma PME. Ser um fornecedor de sucesso para esses países é um selo de qualidade que pode ser usado como diferencial competitivo em outros mercados, tanto no Brasil quanto no exterior.

Em suma, o acordo atua como um catalisador para o crescimento e internacionalização das PMEs brasileiras. Ele remove barreiras, cria novas oportunidades de negócio e promove um ambiente mais favorável para que essas empresas, que são a base da nossa economia, possam competir em escala global.

 

Oportunidades de negócios que poderão ser exploradas pelas PMEs

A abertura do mercado da EFTA oferece diversas oportunidades de negócios para PMEs brasileiras em setores variados, dada a alta renda e as preferências de consumo dos países-membros.

O acordo oferece uma plataforma para que as PMEs brasileiras, com seus produtos inovadores e sua cultura única, possam acessar um mercado de alto poder aquisitivo. É fundamental, no entanto, que essas empresas se preparem para atender às exigências de qualidade e certificação dos países da EFTA.

 

Setor de alimentos e bebidas

Os países da EFTA, especialmente Suíça e Noruega, têm um mercado consumidor sofisticado e com alto poder de compra para produtos de qualidade e com valor agregado.

– Alimentos orgânicos e saudáveis: produtos como açaí, castanhas, superalimentos (como sementes de chia ou linhaça) e frutas exóticas (jabuticaba, maracujá) com certificação orgânica ou de origem sustentável têm grande potencial.

– Cafés e chocolates especiais: cafés gourmet de diferentes regiões do Brasil e chocolates finos produzidos com cacau de origem controlada podem competir com produtos já estabelecidos, destacando a qualidade e a singularidade.

– Cachaça e outras bebidas: cachaças de alta qualidade, envelhecidas e com diferenciais de produção, podem ser posicionadas como destilados premium.

– Alimentos processados de nível premium: geleias, molhos e conservas com ingredientes brasileiros únicos podem ser explorados, focando em nichos de mercado.

 

Setor de moda e design

A cultura de design e a busca por produtos autênticos e sustentáveis nos países da EFTA criam um terreno fértil para as PMEs brasileiras.

– Moda sustentável e artesanal: roupas, calçados e acessórios feitos com materiais reciclados, orgânicos ou de forma artesanal (bolsas de palha, sapatos de couro sustentável) são valorizados.

– Joias e acessórios: joias e semijoias com design autoral, que utilizam pedras preciosas ou materiais brasileiros de forma criativa.

– Móveis e objetos de decoração: peças de design, móveis de madeira certificada e objetos de decoração que combinam o artesanato brasileiro com um visual contemporâneo.

 

Setor de tecnologia e serviços

As PMEs de tecnologia podem se beneficiar da demanda por soluções inovadoras e da facilidade de investimentos prevista no acordo.

– Tecnologia da informação: empresas de software, desenvolvimento de aplicativos e soluções de tecnologia podem encontrar parceiros ou clientes interessados em terceirizar serviços ou investir em startups brasileiras.

– Saúde e bem-estar: produtos de cosmética natural, fitoterápicos ou soluções de bem-estar que utilizam ingredientes da biodiversidade brasileira podem ser explorados.

 

Outras oportunidades

– Exportação de conhecimento: empresas de consultoria, arquitetura ou engenharia especializadas em temas como energias renováveis ou infraestrutura verde podem oferecer seus serviços.

– Ecoturismo: pacotes de turismo focados em sustentabilidade e aventura, explorando as belezas naturais do Brasil com uma abordagem de preservação, podem ser comercializados para o público da EFTA, que valoriza a natureza e experiências autênticas.

 

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), assinado em 16 de setembro, visa principalmente à redução e eliminação de tarifas de importação e à facilitação do comércio entre os dois blocos.

 

Objetivos principais

– Liberalização tarifária: reduzir ou zerar as tarifas de importação em uma ampla gama de produtos. A EFTA eliminará 100% das tarifas para produtos industriais e de pesca, e quase 99% das exportações brasileiras para o bloco terão livre acesso. O Mercosul, por sua vez, liberalizará 97% do comércio bilateral, mantendo proteções para setores considerados mais sensíveis.

– Abertura de novos mercados: o acordo abre um novo mercado de alto poder aquisitivo para o Mercosul, já que os países da EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) estão entre os de maior renda per capita do mundo. Isso é estratégico para diversificar as exportações do bloco sul-americano.

– Promoção de investimentos: o acordo também inclui capítulos sobre serviços e investimentos, incentivando o fluxo de capital entre os blocos. A Suíça, por exemplo, já é um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil.

– Melhora de regras comerciais: o acordo busca harmonizar regras e padrões, como as barreiras técnicas e as medidas sanitárias e fitossanitárias. Isso visa tornar o comércio mais transparente, previsível e menos burocrático, além de fortalecer o comércio internacional com base em regras claras.

 

O acordo

Embora o acordo tenha sido assinado, ele ainda não entrou em vigor. Para isso, ele precisa ser ratificado pelos parlamentos de cada um dos países-membros. O texto do acordo inclui uma cláusula para acelerar esse processo: ele entrará em vigor três meses após ao menos um país do Mercosul e um país da EFTA o ratificarem.

Quando estiver em vigor, o acordo definirá as regras para o comércio de bens, serviços, investimentos e compras governamentais. Produtos como carnes, café, sucos, etanol e frutas do Mercosul, por exemplo, ganharão cotas para entrar nos países da EFTA com tarifas reduzidas ou zero, o que aumentará a competitividade. Da mesma forma, produtos como chocolate suíço e bacalhau norueguês podem se tornar mais baratos no Mercosul.

Detalhe sobre as partes envolvidas?

 

Partes envolvidas

Esses países são conhecidos por terem um alto PIB per capita, o que torna seus mercados consumidores muito atrativos para os produtos do Mercosul. O acordo de livre comércio foi assinado entre dois blocos econômicos:

 

1. O mercosul

O Mercado Comum do Sul é um bloco econômico sul-americano composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela foi suspensa do bloco em 2016. A Bolívia está em processo de adesão e se tornará membro pleno assim que os protocolos de adesão forem ratificados pelos outros países-membros. O Brasil, sendo o maior país do bloco, tem um peso econômico significativo e atua como uma liderança nas negociações.

 

2. A EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio)

A EFTA é um bloco comercial que não faz parte da União Europeia, mas tem acordos de livre comércio com ela e com outros países ao redor do mundo. É formada por quatro nações ricas e altamente desenvolvidas:

– Suíça: conhecida por seu setor financeiro, produtos farmacêuticos e tecnologia de ponta.

– Noruega: grande produtora de petróleo e gás, além de ter uma forte indústria de pesca.

– Islândia: sua economia é baseada em pesca, energia geotérmica e turismo.

– Liechtenstein: um pequeno principado com uma economia forte em serviços financeiros e indústria.

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